Glória Sem Poeira

18 May 2019 05:46
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<h1>Especialista Ensina 5 Sugest&otilde;es Infal&iacute;veis Para Dominar Um Homem</h1>

<p>Em maio passado fiz por&ccedil;&atilde;o de uma banca de doutorado pela USP. A tese era sobre John Milton, o candidato era Martim Vasques da Cunha e pela altura falou duas coisas que de imediato repito. A primeira era que o autor n&atilde;o tinha somente escrito uma tese de doutorado em &Eacute;tica e Filosofia Pol&iacute;tica. Ele tentava construir uma obra —passo a passo, de agonia em agonia— e a medita&ccedil;&atilde;o sobre o pensamento pol&iacute;tico de John Milton era uma continua&ccedil;&atilde;o em liga&ccedil;&atilde;o a um livro anterior sobre isso Thomas More.</p>

<p>&Eacute; prov&aacute;vel que 9 Tipos De Mulheres Que Os Homens N&atilde;o Gostam , e a era das &quot;ideologias&quot; que ela destacou, tenha esquecido essa classe &eacute;tica fundamental. Como Conquistar Um Homem De Touro? , ao menos a partir de Maquiavel, passou a cuidar das dificuldades &quot;exteriores&quot; &agrave; exist&ecirc;ncia dos homens. Final Da Copa Do Mundo Ter&aacute; Mulher Pela Comiss&atilde;o T&eacute;cnica limites da a&ccedil;&atilde;o governativa? Dicas A respeito de Como Convencer Um Namorado Que N&atilde;o Quer Casar ? O que &eacute; um regime legal? E o que fazer com um regime ileg&iacute;timo? Maquiavel n&atilde;o foi citado por sorte. O que este monstruoso pensador fez (e &quot;monstruoso&quot; em v&aacute;rias dimens&otilde;es da palavra) n&atilde;o foi s&oacute; uma cis&atilde;o entre a moralidade crist&atilde; e a moralidade pag&atilde;, como citou Isaiah Berlin.</p>

<p>Maquiavel foi ainda mais long&iacute;nquo —e nesse lugar Quentin Skinner &eacute; mais sagaz do que Berlim: ele operou uma cis&atilde;o dentro da pr&oacute;pria moralidade pag&atilde;. Quando o florentino, em &quot;O Pr&iacute;ncipe&quot; ou nos &quot;Discursos&quot;, faz uma apologia da &quot;virt&ugrave;&quot; cl&aacute;ssica, ele n&atilde;o est&aacute; a prestar a tua homenagem aos antigos (como C&iacute;cero, a t&iacute;tulo de exemplo). Para Maquiavel, &quot;virt&ugrave;&quot; era imediatamente um aparelho para &quot;mantenere lo Stato&quot; —um instrumento que legitimava a selvajaria, a inven&ccedil;&atilde;o, a dissimula&ccedil;&atilde;o.</p>

<p>E essa &quot;ordem da alma&quot;, que &eacute; um empenho pr&eacute;-pol&iacute;tico e sem a qual a &quot;res publica&quot; ser&aacute; a toda a hora um regime degenerado? Que bem: n&atilde;o h&aacute; duas sem 3. Ap&oacute;s Thomas More e John Milton, Martim Vasques da Cunha escreve a respeito do Brasil por interm&eacute;dio de alguns nomes &quot;can&ocirc;nicos&quot; da sua literatura.</p>

<p>&Eacute; um problema ler &quot;A Poeira da Gl&oacute;ria&quot; (t&iacute;tulo) como uma &quot;inesperada hist&oacute;ria da literatura brasileira&quot; (subt&iacute;tulo). O centro do autor n&atilde;o &eacute; a literatura; &eacute;, como sempre, as result&acirc;ncias &eacute;ticas e pol&iacute;ticas que a car&ecirc;ncia de &quot;autonomia interior&quot; nos escritores brasileiros provocou no povo. Isso &eacute; expl&iacute;cito em autores t&atilde;o intoc&aacute;veis como Machado de Assis, Oswald e M&aacute;rio de Andrade - e at&eacute; em Guimar&atilde;es Rosa, um g&ecirc;nio da palavra que se ficou somente por um &quot;pacto diab&oacute;lico&quot; com as express&otilde;es.</p>

<p>No entanto, se desta maneira foi, onde reside a dificuldade do &quot;esteticismo&quot; exclusivo? Para Martim Vasques da Cunha, este &quot;esteticismo&quot; exclusivo tem implica&ccedil;&otilde;es pessoais, sociais e pol&iacute;ticas que resultam do abismo entre a realidade e a fantasia que diversos escritores tomaram como realidade. Este &quot;baile de m&aacute;scaras&quot; come&ccedil;a por embotar o respectivo autor —e s&atilde;o pungentes, tais como, os textos confessionais de Lima Barreto— o seu &quot;ennui&quot; e o seu sentimento de &quot;covardia&quot;. Ou, como Gonzaga de S&aacute; comunica a Machado, haver&aacute; superior inferno do que estarmos apenas condenados a &quot;girar em redor&quot; de n&oacute;s pr&oacute;prios —como se f&ocirc;ssemos a besta pela jaula do not&aacute;vel poema de Rilke?</p>
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<p>Por&eacute;m existem bem como implica&ccedil;&otilde;es sociais. Por causa de um autor pode subestimar o real com o teu respectivo real. Infelizmente, o primeiro n&atilde;o desaparece com o segundo. Habitar o universo &eacute; habitar os dilemas morais que a cada momento nos assaltam. A pergunta &eacute; &oacute;bvia: como lidar com tais desafios no momento em que o &uacute;nico &quot;m&uacute;sculo&quot; que temos &eacute; est&eacute;tico e n&atilde;o &eacute;tico? A resposta t&iacute;pica do intelectual &eacute; o ressentimento: tentar descobrir &quot;l&aacute; fora&quot; (nos pares, pela &quot;na&ccedil;&atilde;o&quot;, at&eacute; em Deus) o que ele foi incapaz de achar &quot;c&aacute; dentro&quot;. &Eacute; um livro que nos surpreende, intriga questiona - e v&aacute;rias destas inquieta&ccedil;&otilde;es est&atilde;o no di&aacute;logo mais abaixo com o autor.</p>

<p>Por&eacute;m uma coisa parece-me evidente: n&atilde;o ser&aacute; mais poss&iacute;vel sonhar as letras no Brasil sem enfrentar a robusta e estupendo vis&atilde;o que Martim Vasques da Cunha publica a respeito. Voc&ecirc; interpreta a &quot;intelligentsia&quot; brasileira como dominada pelo esteticismo, desprezando as dimens&otilde;es &eacute;ticas e transcendentais da vida. Inexist&ecirc;ncia esclarecer o essencial: visto que fundamento h&aacute; essa prefer&ecirc;ncia pelo esteticismo?</p>

<p>Desta maneira voc&ecirc; quer que eu conte a enorme surpresa do livro pros leitores (risos)! Voc&ecirc; &eacute; capaz de dizer um exemplo —da literatura brasileira ou universal— em que uma enorme obra liter&aacute;ria surge despojada de cada prop&oacute;sito moral? Claro que sim —inclusive eu at&eacute; gosto de muitas delas, entretanto a todo o momento fico com um p&eacute; atr&aacute;s. ]. Na literatura universal, desejamos ficar com o simbolismo de Mallarm&eacute;, qualquer coisa impressionante em termos est&eacute;ticos, entretanto que n&atilde;o det&eacute;m aquela fagulha que assist&ecirc;ncia o sujeito a defrontar as ambiguidades da vida.</p>

<p>Tua observa&ccedil;&atilde;o de Machado de Assis &eacute; dur&iacute;ssima e a acusa&ccedil;&atilde;o &eacute; implac&aacute;vel: Machado era um fingidor, que usava o v&eacute;u est&eacute;tico pra esconder quem era. Voc&ecirc; n&atilde;o descobre que &eacute; poss&iacute;vel falar o mesmo sobre Fernando Pessoa? Voc&ecirc; deposita uma grande f&eacute; no poder da cultura como promotora das virtudes cardeais.</p>

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